
Os primeiros passos do processo que conduziu à ligação entre as duas instituições foram dados pela UnI. Rui Verde, seu vice-reitor, começa por referir: «Já anteriormente, de forma, mais ou menos artesanal, tínhamos efectuado alguns contactos com a Moderna e a Internacional, que não resultaram. Precisávamos de uma forma profissional de abordagem». Assim, surge no projecto o BCP Investimentos, que, após efectuar um estudo de mercado, aponta o IPAM como parceiro ideal para as intenções da UNI.
Caetano Alves, presidente do concelho de administração da Ensigest, empresa gestora do IPAM, vai ser o rosto neste processo: «Na altura estávamos a estudar a possibilidade de fazer algumas operações no mercado do ensino superior, para crescermos mais rapidamente, dentro de um conjunto de parâmetros estabelecidos dentro da nossa estratégia». Estariam assim reunidas as condições para o avanço das negociações, até porque: «Fusões, concentrações ou parcerias serão inevitáveis», acrescenta o homem forte do IPAM.

Tudo parecia bem encaminhado quando, em Janeiro de 2005, os alunos do IPAM e da UnI passaram a conviver nas instalações da Av. Marechal Gomes da Costa. Estava concretizada a primeira fusão de universidades no país, traduzida num conselho de administração único, liderado por Caetano Alves, apesar de «entre as universidades propriamente ditas, não ter havido fusão, pois a ideia era que o IPAM se tornasse numa das faculdades da UnI, conforme existem as de Humanidades, Artes, Direito e Tecnologias», especifica Rui Verde.
Por esta altura começaram os problemas, nomeadamente na área da reitoria, que no papel deveria ser única. E se ao nível dos rostos da mudança as coisas caminhavam cordialmente («eu e o dr. Caetano Alves sempre nos demos bastante bem»), a base do projecto, que deveria ser sólida, começou a desmoronar-se: «Ao nível das reitorias as coisas não funcionavam, muitas vezes só funcionavam entre mim e ele», acrescenta Verde.

A visão do lado da UnI não anda muito longe da anterior: «A fusão falhou por duas razões: primeiro devido a um choque de ideias e personalidades; e em segundo lugar por uma certa questão de cultura, o IPAM tinha uma cultura diferente da nossa, nem digo se era melhor ou pior, era diferente», explica o vice-reitor. Daí até ao fim, tudo foi rápido: «As coisas não se articulavam, ou mandavam uns ou mandavam outros; como não se chegou a acordo de quem mandava, desfez-se a fusão».

Lambidas as feridas desta união falhada, as duas instituições têm ideias bem diferentes quanto ao seu futuro. Caetano Alves não descarta nova fusão, mas «neste caso fizemos apenas uma avaliação financeira, o que claramente não chega – além de financeiras, precisamos de fazer avaliações patrimoniais, fiscais, avaliar muito bem o projecto, os recursos e a liderança». E garante: «Não voltaremos a cometer os mesmos erros».
Opinião oposta tem a UnI: «Fusões nunca mais, só aquisições, se tivermos dinheiro e capacidade», defende Verde, acrescentando: «Foi trágico para nós tudo este processo, que criou uma instabilidade na universidade que ainda hoje não terminou».
Como em quase todos os processos produtivos, o relacionamento e organização dos recursos humanos é indispensável para o bom funcionamento de uma estrutura que se quer sólida, coesa e preparada para manter, de forma intransigente, o rumo traçado à partida.
Nada disto aconteceu na vida, curta, da fusão UnI/IPAM.
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